Reforma Tributária

Split payment e fornecedores do Simples Nacional: o que muda na prática para quem compra

Simples Nacional na reforma muda o crédito de quem compra desses fornecedores. Veja o que verificar antes de janeiro de 2027 na sua esteira de pagamentos.
Split payment e fornecedores do Simples Nacional: o que muda na prática para quem compra

Sumário

Comprar de um fornecedor do Simples Nacional na Reforma Tributária deixa de ser uma operação neutra para o seu crédito. A partir de 2027, o quanto de IBS e CBS a sua empresa recupera nessas compras passa a depender de uma decisão que é do fornecedor, não sua: manter os novos tributos dentro do boleto único do Simples ou apurá-los pelo regime regular.

Para quem paga contas em escala, isso vira um dado a controlar nota a nota. A resposta curta é que o split payment separa o imposto no pagamento, mas não decide sozinho o seu crédito. Quem decide é o regime que o fornecedor adota para IBS e CBS, mais o que o documento fiscal carrega.

Quase toda explicação sobre o Simples Nacional na Reforma Tributária foca em quem vende. Este texto trata do outro lado: o de quem compra.

Resumo em 5 pontos

  • O split payment separa IBS e CBS no pagamento, mas o tamanho do seu crédito depende do fornecedor, não do split.
  • Fornecedor do Simples que mantém IBS e CBS no DAS gera crédito menor, limitado à parcela embutida (art. 47, § 9º, LC 214/2025).
  • Fornecedor que opta pelo regime regular (art. 41, § 3º) gera crédito pelas regras gerais de não cumulatividade.
  • A escolha do fornecedor para o primeiro semestre de 2027 vai até 30 de setembro de 2026.
  • Quem compra do Simples Nacional na Reforma Tributária precisa saber, na entrada da nota, qual regime cada fornecedor adotou.

O que muda ao comprar de um fornecedor do Simples Nacional na Reforma Tributária?

Muda a origem do seu crédito: ele deixa de ser consequência automática da nota e passa a depender do regime que o fornecedor escolheu para os novos tributos. Antes, comprar de uma empresa do Simples resolvia pouco em crédito e a conversa terminava aí.

Com o novo modelo, o Simples Nacional passa a poder gerar crédito de IBS e CBS para o adquirente do regime regular. O tamanho desse crédito muda conforme a decisão do fornecedor. O mesmo item, comprado de dois fornecedores do Simples Nacional na Reforma Tributária, pode devolver créditos diferentes para a sua empresa.

Para quem processa milhares de notas por mês, isso pesa no bolso. Vira uma variável nova na formação de custo de cada compra e na posição de crédito do período, e ela vive no documento de entrada, antes de qualquer apuração.

Como o split payment trata os fornecedores do Simples Nacional?

O split payment não cria uma trilha separada para os fornecedores do Simples Nacional na Reforma Tributária. Ele separa IBS e CBS na liquidação do pagamento, e o que muda antes dele é quanto de imposto existe para separar em cada operação.

O que é o split payment, em uma frase

O que é split payment: a separação automática de IBS e CBS no instante em que o pagamento é liquidado, com a parcela do imposto seguindo ao Fisco antes do valor chegar ao fornecedor. Ele não cria tributo novo. Em resumo, se responde assim: recolhimento na hora do pagamento, sem guia depois.

A mecânica completa e o efeito no caixa estão no impacto do split payment no fluxo de caixa. Muitas das vezes o debate sobre split payment na Reforma Tributária mira quase sempre o lado de quem vende, e é justamente o comprador do Simples que fica de fora dessa conversa.

Por que o regime do fornecedor decide o resultado?

Porque o split só separa o imposto que a operação de fato carrega. Se o fornecedor do Simples mantém IBS e CBS dentro do DAS, a parcela embutida é pequena. Se ele apura pelo regime regular, a operação passa a ter IBS e CBS pelas alíquotas gerais.

Existe ainda a diferença entre split payment padrão e simplificado, que altera como a retenção é calculada na liquidação. Para o comprador do regime regular, o procedimento padrão é o caminho usual, e ele consulta os créditos da operação em tempo real.

Entender como vai funcionar o split payment ajuda no planejamento de caixa. Mas a definição do seu crédito acontece antes, na escolha do fornecedor e no que a nota traz. O Comitê Gestor do IBS informou, em 12 de agosto de 2026, que o split payment não fica pronto para janeiro de 2027, o que deixa outras vias de recolhimento em cena no primeiro ano.

O que muda no crédito de IBS e CBS dessas compras?

O crédito do adquirente do regime regular fica vinculado ao IBS e à CBS efetivamente cobrados dentro do Simples, e não à alíquota cheia sobre o valor da operação. Essa regra está no art. 47, § 9º da Lei Complementar nº 214/2025.

Na prática, existem dois cenários para o mesmo fornecedor. Cada um leva a um crédito diferente para quem compra, e a decisão entre eles não é da sua empresa.

Crédito vinculado ao DAS ou crédito pelas regras gerais

Quando o fornecedor do Simples mantém IBS e CBS no recolhimento unificado, você se credita apenas da parcela desses tributos embutida no DAS, mesmo sem destaque na nota. Quando o fornecedor opta por apurar IBS e CBS pelo regime regular, hipótese do art. 41, § 3º da lei, a operação passa a gerar crédito pelas regras gerais de não cumulatividade.

O texto oficial está disponível na íntegra da Lei Complementar nº 214/2025, no portal do Planalto. É a fonte para conferir cada dispositivo citado aqui antes de fechar qualquer política de compras.

O contexto pesa a favor de agir cedo. O Panorama de Maturidade Fiscal 2026 V360, que coletou dados de mais de 350 operações durante 2025, mostrou que 71,8% das empresas ainda estavam em inércia diante da Reforma Tributária. Mapear o regime dos fornecedores do Simples é uma das frentes que essa inércia deixa para trás.

Quando o crédito é reconhecido?

O crédito é reconhecido depois que o imposto da etapa anterior é extinto, pela regra geral do art. 47 da mesma lei. Com o split payment fora de operação em janeiro de 2027, parte das compras vai depender do recolhimento pelo adquirente (RAD) para extinguir o débito e liberar o crédito.

Para o comprador, isso significa uma decisão por fornecedor e por operação, não um acerto único no fechamento. Saber quando cada crédito entra depende de rastrear documento, título e pagamento na mesma linha.

Situação do fornecedor do SimplesO que decide?Crédito para quem compraOnde isso se resolve?
Mantém IBS e CBS no DASRecolhimento unificadoLimitado à parcela embutida no DASLeitura do documento na entrada
Opta pelo regime regular (art. 41, § 3º)Apuração por fora do DASPelas regras gerais de não cumulatividadeCadastro e validação do fornecedor
Operação sem split disponívelMeio de pagamento não segregaDepende do RAD para extinguir o débitoPolítica de recolhimento por fornecedor

O que verificar antes de janeiro de 2027?

A escolha do fornecedor entre DAS e regime regular para o primeiro semestre de 2027 vai até 30 de setembro de 2026, conforme a Receita Federal. Isso dá à área fiscal uma janela curta para levantar a base de fornecedores do Simples Nacional na Reforma Tributária.

Para situar essa data no calendário da transição, vale ver quando começa o split payment.

  1. Liste os fornecedores do Simples com maior volume de compras e identifique quais deles pretendem apurar IBS e CBS pelo regime regular.

  2. Confirme se o seu ingresso fiscal lê e registra, na entrada, o regime do fornecedor e a parcela de IBS e CBS de cada documento.

  3. Verifique se documento, título no ERP e pagamento ficam rastreáveis na mesma operação, para reconhecer o crédito no momento certo.

  4. Defina uma política de RAD por fornecedor, para as compras em que o meio de pagamento não permitir a segregação automática.

  5. Reveja a formação de custo das compras em que o crédito ficará limitado ao DAS.

O ponto comum dos cinco itens é a entrada. O crédito da Reforma Tributária se decide muito antes da apuração: ele se decide no dado que entra com a nota. Uma esteira de pagamentos que não enxerga o regime do fornecedor na entrada acumula crédito errado e só descobre no fechamento.

É aqui que o ingresso fiscal deixa de ser captura e vira governança. Ler o documento, validar o que ele traz de IBS e CBS, identificar o regime do fornecedor e manter tudo rastreável até o pagamento é o que separa o crédito reconhecido do crédito perdido. Não é volume de notas capturadas. É controle sobre o que cada nota significa para o seu caixa.

Como garantir a preparação da sua empresa para as mudanças?

A janela de decisão dos fornecedores fecha ainda em 2026, e o primeiro crédito de IBS e CBS dessas compras entra em 2027. Dá tempo de preparar a entrada antes disso, com a base de fornecedores do Simples Nacional na Reforma Tributária já mapeada.

Fale com a equipe da V360 para um diagnóstico de onde o seu ingresso fiscal deixa passar a informação que decide o crédito nas compras do Simples. Converse com a nossa equipe e veja onde a sua esteira de pagamentos precisa enxergar melhor antes de janeiro.

Perguntas frequentes sobre split payment e fornecedores do Simples Nacional

Comprar de fornecedor do Simples Nacional na Reforma Tributária gera crédito de IBS e CBS?

Sim. A partir de 2027, o adquirente do regime regular se credita de IBS e CBS nessas compras. O valor depende do regime do fornecedor: limitado à parcela do DAS, se ele mantém o recolhimento unificado, ou pelas regras gerais, se ele opta pelo regime regular.

Qual a diferença de crédito entre um fornecedor do Simples e um do regime regular?

Do fornecedor do regime regular, o crédito segue as alíquotas gerais de IBS e CBS. Do fornecedor do Simples que fica no DAS, o crédito é limitado à parcela embutida, conforme o art. 47, § 9º da LC 214/2025. Por isso o mesmo item pode devolver créditos diferentes.

Até quando o fornecedor do Simples decide como vai recolher IBS e CBS?

A opção pelo recolhimento no DAS ou pelo regime regular para o primeiro semestre de 2027 é feita até 30 de setembro de 2026, conforme a Receita Federal. O debate sobre split payment na Reforma Tributária raramente chega a essa escolha, mas é ela que define o seu crédito.

Preciso entender como vai funcionar o split payment para tratar as compras do Simples?

Ajuda, mas o essencial vem antes: saber o regime de cada fornecedor e ler, na entrada da nota, a parcela de IBS e CBS. Isso garante reconhecer o crédito correto no momento certo, sem descobrir a diferença só no fechamento.





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